terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dia em Gulpen

Por causa do meu novo trabalho, a coisa mais difícil do mundo é eu ter folga no fim de semana. Por este motivo, a nossa rotina aqui em casa foi bastante modificada. Eu passo minhas folgas sozinha, nos dias de semana, curtindo as minhas coisas. Meu marido curte o final de semana como antes, mas só me encontra quando volto do trabalho. Essa nova dinâmica fez com que os nossos dias de folga em comum fossem mais celebrados que o normal. Dia desses tivemos um feriado na sexta-feira, por um milagre eu tive folga e ele também. Planejamos então um passeio.

Procurei rapidamente na internet alguma atração aqui perto que pudesse nos interessar. Achei este castelo que parecia fantástico, saído de um conto de fadas, em Gulpen, na Holanda. Pegamos o carro e fomos. Chegando lá, o caminho que leva ao Kasteel Neubourg já valia o passeio. A promenade architecturale ou o passeio arquitetônico, o caminho que aumenta a expectativa da chegada e costuma terminar em uma vista  surpreendente do castelo, nesse caso terminou em muros fechados de um castelo em obras. Este artifício arquitetônico que eu tanto gosto, neste caso um caminho lindo de árvores centenárias que estavam verdinhas e cheias, foi tão agradável para nós que não nos entristecemos ao vermos os portões do castelo fechados. Afinal, o dia estava tão agradável com suas manchas ensolaradas pelo chão. Os últimos dias quentes do ano tornaram o passeio mais gratificante que o próprio palácio que procurávamos. Ao chegarmos, encontramos seus jardins abandonados. Como paisagista, tenho uma estimulante sensação ao ver jardins abandonados: ao mesmo tempo em que quero ordená-los na minha lógica formal, vejo a força com que as plantas avançam e dominam tudo, cobrindo os caminhos dos pedestres ou as portas e janelas que antes eram habitadas. Elas parecem mostrar que podem arruinar com os meus planos certinhos de projetista, e isso é fascinante, ver o poder delas. Eu me alegro mais do que deveria ao ver um jardim tomado pela desordem, mesmo ordenadora que sou. Uma lição de dominante e dominado. Conversamos eu e Matthias sobre isso, sobre a lindeza que era este lugar e também sobre a dificuldade que era para qualquer observador percebê-lo. Não conhecemos os verdadeiros paraísos, devem estar escondidos por aí, longe das nossas vistas, concluímos.

O complexo em obras tinha um portão aberto para o pátio e jardins, entramos alguns metros pelo espaço e vimos as pontes que ligam às entradas do edifício. Embaixo da ponte, plantas lamacentas e poças de lama e lodo tomaram conta do que antes era água, nas fotos que tinha visto do Google. As janelas estavam quebradas. Mas tudo tinha uma beleza quase indecente.


Plantas, muita lama e janelas quebradas. Mas o visual é lindo.



Depois de muitos portões fechados, muros altos e suposições sobre o que deve ter ali, resolvemos retornar por aquele caminho de árvores que tanto nos fez bem. Vimos então, logo ao lado, um grande moinho de água funcionando em um pequeno córrego. Era uma loja de panquecas, ou Pannekoeken, super populares na Holanda. Entramos despretensiosos, pegamos uma mesa ao sol e provamos, ali, a melhor panqueca de nossas vidas. As melhores panquecas. Que incrível este dia.



De Pannekoeken Molen, em Gulpen.

Voltamos para casa totalmente saciados de panquecas, sol e jardins.

3 comentários:

  1. Oi Gi!!
    Nossa que passeio gostoso, deve ter sido incrível mesmo. Morro de vontade de conhecer esses jardins imensos da Holanda. Sempre que puder mostra um pouquinho pra gente :)

    Beijinhos

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  2. Que massa, Gi! Tem que aproveitar mesmo os dias de folga, o casal!

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  3. Foi mesmo incrível, meninas! Bjo pra vcs :))

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