segunda-feira, 29 de abril de 2013

Conexão em Lisboa

Eu acho que já passei mais horas em aeroportos do que três gerações da minha família juntas. Não porque eu seja uma jetset de altíssima grandeza. Ao contrário, meus voos em empresas low cost me obrigam, muitas vezes, a pernoitar nos salões de embarque deste mundão, onde o desconforto é comum. Me considero entendida de aeroportos. Chego sempre antes, tenho as minhas manias, sei qual o banco mais escurinho pra tirar um cochilo antes do vôo. Mesmo assim, às vezes surgem mancadas federais.
Agora, neste exato momento, me encontro no aeroporto de Lisboa. Com ainda três horas livres, do total de seis horas de conexão do meu vôo. Semanas antes, pesquisei com meus colegas blogueiros o que poderia fazer em seis horas na capital lusitana. Afinal, vergonhosamente, ainda não conheço Lisboa. Fiz um roteirinho, anotei a parada do metrô, preparei a câmera na bagagem de mão e me lancei nos planos de passear por Lisboa, ignorando detalhes que não poderiam ser ignorados, santa ingenuidade!
Antes de tudo, devo dizer que sou uma pessoa cautelosa. Não consigo ainda sair desvairada pela cidade desconhecida, ainda que o idioma seja o meu, com o risco de me perder, de chegar atrasada no aeroporto e ter de encarar a imensa fila do embarque internacional aqui em Lisboa. Porque essa fila eu já conheço de outros carnavais! Planejava então uma escapadinha rápida, um passeio por alguma das lindas praças daqui e um almoço saboroso.
Mas sabem, meu vôo partindo de Frankfurt para Lisboa é realmente cruel. Ele parte às 6:10 da manhã, com check in às 4:30. Então, para estar em Frankfurt à esta hora, preciso sair de Aachen na véspera, em um trem que chega no aeroporto precisamente às 1:54h. Alemães precisos. Recapitulando: Meus percursos de trem e conexões e avião somados são Aachen – Colônia – Frankfurt – Lisboa – Rio de Janeiro. Hoje desembarquei em Lisboa às 8:00 da manhã completamente virada, com dois volumes pesados de bagagem de mão. Maldita a hora que resolvi comprar um laptop com tela 17’’. Ele vira uma prancha de chumbo que não cabe em bolsa nenhuma.
 Então, meus caros, abortei o passeio. Sem dormir e com os braços já doloridos de carregar tanto peso desnecessariamente, me pergunto porque trouxe 3 livros e um DICIONÁRIO na minha bagagem de mão. Lembrei, a mala despachada estava no limite. Agora só penso em saborear os pastéis de nata surpreendentemente baratos que encontrei no conforto do salão de embarque. A massa é bem fina e sequinha, dei sorte. Ainda descobri o super doce, mas interessante, Pastel Tentugal. No fim de tudo ainda não conheço Lisboa, mas acho mesmo que ela merece mais que somente 6 horas para ser apreciada. Talvez o peso das malas seja um castigo do universo, por eu ter tentado revisar e resumir tamanho patrimônio.
Azulejo português é um charme.
Os pastéis da casa de doces Passeio Antigo são nota dez. Mas a falta de carrinhos depois do controle de passaporte é um erro quase imperdoável, não fosse a beleza dos azulejos portugueses nos pilares, que me distraem do peso. 

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