domingo, 16 de agosto de 2015

Fim



Tanta coisa aconteceu nesses meses! Sinto que vários capítulos da minha vida estão se fechando. Outros novos, e excitantes, estão por vir. No fim de julho terminei o mestrado. Terminei de uma forma tão boa, tão pacífica....Essa coisa de escrever tese é sempre cansativa e tensa, mas de alguma forma consegui equilibrar muito bem a minha vida e os meus compromissos nos últimos meses. Talvez seja a maturidade chegando!

Desde dezembro venho desenvolvendo esta ideia da tese. No Brasil, entre as festas de reencontros e convívio com a família, fiz anotações de pontos importantes, coisas que não poderia esquecer de mencionar. Tudo sem muita pressa. Confesso, não trabalhei tanto nessa fase como deveria. Lia com cautela, sublinhava o que achava importante, anotava outros trechos marcantes. E passei assim os primeiros meses curtindo mais os amigos. Não propriamente fazendo, mas pensando na tese. No início de março comecei a escrever. Fiz aquela parte histórica chata, com pesquisas de datas e introduções literárias. Fiz também um esquema com a estrutura de como eu imaginava que seria o percurso das ideias. Esse esquema, imagino eu, foi a coisa mais importante que eu fiz na minha estada no Brasil. Mais do que pesquisas e fotos, porque tudo isso pode ser feito de longe. Andei nas praias, vi o movimento, anotava as ideias em guardanapos e por fim estruturei isso tudo. O tema ajudou, claro! Em uma análise de performance das praias cariocas como espaços abertos, via nos meus passeios o que elas representam para os cariocas e para mim. Sim, a tese foi muito pessoal.

No início de maio interrompi os estudos e me aventurei na África do Sul. Como parte do último período do mestrado, participei de um concurso internacional de planejamento urbano. Que cidade! Que atmosfera! Quanto estilo impresso nas pessoas, nas músicas, na cultura. Foi uma experiência inesquecível passar um mês naquela beleza de lugar. Foi bom pra relaxar e esquecer de tudo. Curtir um ska, um bom vinho e a combinação desses dois. Fechar os olhos já pesados de Tall Horse Shiraz e deixar o reggae entrar.

Voltei pra Alemanha relaxada mas também pronta pra trabalhar. Feliz. E trabalhei, viu? Em média 10 horas por dia. E escrevi a tal tese sobre a praia. Fiz bem, com tempo, dormindo toda noite. Por causa dos meus orientadores, tive de defender a tese antes da turma toda, 10 dias antes. Então peguei o trem para Nürtingen, tantas vezes fiz esse trecho....A banca foi um sucesso. Teve sorte mas teve muito trabalho duro. É uma sensação ótima ter as suas ideias compreendidas, isso pouco acontece comigo. Tentei ainda visitar meu ex estágio em Tübingen, mas os compromissos da Susanna impediram esse encontro. Então curti um pouco Tübingen, minha quarta morada de um total de seis cidades em dois anos. Mudei muito. Foi uma tarde prazerosa. Entrei no trem e prossegui viagem para Aachen. Ali no trem pensei nesses dois anos. Foram sofridos, divertidos e muito, muito introspectivos. Aprendi a ser sozinha nesse tempo. Rodeada de gente, mas sozinha. E foi bom, mudei. Hoje gosto de me bastar, de me virar e de receber as pessoas da minha vida porque eu quero, não porque eu preciso.

Fechei este capítulo do mestrado de uma forma serena. O mestrado que era o meu escudo no país. Ocupava os meus dias e me dava o título de estudante. Agora é só a Giselle na Alemanha, procurando ainda o que fazer.



Este post foi publicado originalmente em 8 de agosto de 2012, no antigo blog. Ele faz parte da série de posts republicados no novo endereço! 

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