terça-feira, 28 de novembro de 2017

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A Fênix renasce das cinzas, não da brasa acesa.

O meu cubo mágico está aqui todo misturado. Eu nunca resolvi nem nunca gostei desses puzzles, mas ele está aqui e ninguém pode resolver isso por mim. Não há lógica que possa me ajudar, dessa vez não há matemática que me facilite as coisas. Sou eu e o cubo mágico.

Depois de tantos rituais que eu experimentei, eu quase posso me ver por inteira agora. Mergulhei muito profundamente nas minhas buscas, nas minhas perguntas. Não consigo mais boiar na superfície. As perguntas não foram respondidas e outras tantas surgiram, ainda mais importantes. O meu corpo pesa. Passei semanas com um nó na garganta até aprender a pedir perdão.

Meus últimos anos foram esse primeiro mergulho de apneia, onde a luz é quase nenhuma e você está completamente só. Perdoo sempre tantas pessoas, mas sou incapaz de me compadecer dos meus erros. Estou aprendendo ainda. Encontrei o tempo que meus amigos me doaram. Eles me mostraram que eu levo amor sempre comigo, sou uma criatura amorosa e negar isso é esconder parte de mim. Vi que leveza sem compromisso consigo mesmo é irresponsabilidade, vi que o perdão do outro não surgirá enquanto você não perdoa a si próprio. O serviço começa por dentro, sempre. O cuidado, o perdão, o apagar das brasas que ainda queimam. O tranquilizar da alma inquieta, o respirar. As minhas tatuagens me dão dicas diárias do que fazer: respire.

Eu não estava leve; estava perdida. Não via a mim mesma e toda cura é individual. Entre muitos rituais, eu me encontrei. Quero dar amor. Quero receber amor, se tiver sorte. Quero parar de esperar a sorte, se for sábia. Ando por aí dizendo palavras boas e sorrindo, vibrando positivamente essa esfera de energia que é tão concreta. Vejo o outro, agora que posso me enxergar. Quero que essas palavras cheguem a quem precisar delas. Quero ver todo mundo feliz, de verdade.

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